A polêmica envolvendo os termos draconianos dos contratos do NewJeans, recentemente expostos pelo The New York Times, acaba de ganhar um novo e explosivo desdobramento. Min Hee-jin, ex-CEO da ADOR e mente criativa por trás do grupo, quebrou o silêncio e negou veementemente ser a responsável pela elaboração e aprovação das cláusulas restritivas e prejudiciais impostas às artistas menores de idade.

Em sua defesa, a executiva transferiu a responsabilidade diretamente para o alto escalão da HYBE, revelando detalhes sobre a estrutura de poder e a falta de autonomia da ADOR durante o período de assinatura dos acordos.
Respondendo às críticas de que teria sido a arquiteta do contrato que removeu proteções governamentais e impôs vigilância 24 horas às jovens, Min Hee-jin esclareceu que a ADOR, na época das negociações, sequer possuía uma equipe jurídica independente. Sem um departamento legal próprio para redigir ou alterar termos contratuais complexos, a agência dependia integralmente da estrutura corporativa de sua empresa-mãe.
Além disso, ela argumentou que o contrato do NewJeans era um documento de peso que jamais poderia ser finalizado de forma unilateral, baseando-se apenas na sua assinatura ou aprovação exclusiva como CEO da ADOR.
Para comprovar que as cláusulas abusivas passaram pelo crivo da HYBE, Min Hee-jin detalhou a rigorosa cadeia de aprovações necessária para validar o documento. Segundo ela, o contrato exigia a revisão e a aprovação direta de três instâncias máximas da matriz: a equipe jurídica da HYBE, o Diretor Financeiro Chefe (CFO) e o Diretor Executivo Chefe (CEO) do conglomerado.
Como se não bastasse o aval dos executivos da matriz, o contrato também precisou ser aprovado pelo conselho de administração da própria ADOR. No entanto, Min Hee-jin revelou um detalhe crucial sobre a composição dessa diretoria: dois dos três diretores internos que votaram e aprovaram o documento eram funcionários diretos da HYBE.
As alegações de Min Hee-jin mudam o foco da crise. Se comprovadas, suas declarações indicam que as armadilhas financeiras, o uso predatório de Inteligência Artificial e a remoção dos direitos de saúde e educação das integrantes não foram um "deslize" isolado da ADOR, mas sim uma política institucional aprovada pelos mais altos executivos da HYBE.