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Clones de voz e vigilância 24h: O quão abusivo é o contrato do NewJeans vazado pelo NYT?

Por: 3 minutos de leitura 3 visualizações

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A disputa entre o NewJeans e a agência ADOR (subsidiária da HYBE) acaba de ganhar seu capítulo mais obscuro. Uma investigação minuciosa conduzida pelo jornal norte-americano The New York Times expôs os detalhes dos contratos de exclusividade assinados pelas integrantes, revelando um cenário alarmante de vigilância extrema, supressão de direitos básicos, armadilhas financeiras e perda de controle sobre suas próprias identidades no futuro.

A análise dos documentos revelou que a agência alterou intencionalmente o modelo padrão estabelecido pelo governo sul-coreano para criar um ambiente de controle implacável.

Remoção de direitos, vigilância 24h e o fim dos estudos

O primeiro grande choque da reportagem envolve a proteção infantil. O modelo de contrato do governo da Coreia do Sul exige cláusulas que garantam os direitos humanos básicos de artistas menores de idade, incluindo saúde física e mental, direito ao sono e acesso à educação. O The New York Times revelou que toda essa linguagem protetiva foi deliberadamente apagada pela ADOR, dificultando que as artistas pudessem processar a empresa por más condições de trabalho.

A rotina imposta corroborava o contrato: as integrantes eram submetidas a uma vigilância rigorosa por câmeras 24 horas por dia e proibidas de ter tempos adequados de descanso. A carga foi tão brutal que quatro das cinco jovens acabaram abandonando a escola regular. Quando questionada, a ex-vice-presidente da ADOR foi categórica ao afirmar aos pais que o rascunho do contrato era absolutamente inegociável. Para piorar, os documentos ainda exigiam que as próprias artistas arcassem com parte dos custos de cirurgias plásticas e tratamentos estéticos.

A ameaça da Inteligência Artificial pós-2029

Um dos pontos mais perturbadores revelados pelo jornal norte-americano diz respeito ao uso da imagem e voz do quinteto após o término do vínculo. No modelo governamental, os direitos da gravadora sobre a identidade do artista expiram imediatamente com o fim do contrato. Com o NewJeans, a regra não se aplica.

O contrato assinado permite que a ADOR mantenha a posse sobre os rostos e as vozes das integrantes mesmo após o fim do acordo, previsto para 2029. Embora as artistas continuem recebendo uma porcentagem financeira, elas perderão totalmente o controle sobre como suas identidades serão usadas. Isso garante à agência o direito legal de criar e licenciar chatbots, clones vocais e conteúdos gerados por Inteligência Artificial (IA) baseados nas integrantes por tempo indeterminado.

A armadilha financeira e o risco de retaliação

Para prender o grupo, o contrato foi desenhado com uma "armadilha financeira" no cálculo da multa rescisória. Em vez de calcular a penalidade com base em uma média mensal justa, a fórmula adotada pela ADOR contabiliza apenas os meses em que o grupo gerou lucros altíssimos, inflando o valor de forma unilateral e desproporcional. Esse detalhe explica a existência de processos de quebra de contrato na casa dos milhões de dólares, como o atualmente enfrentado pela integrante Danielle.

Por fim, o NYT expôs a contradição pública da ADOR. Durante toda a disputa midiática, a empresa declarou que não buscaria indenizações contra as integrantes caso elas retornassem às atividades. No entanto, transcrições de reuniões apresentadas em juízo mostram um cenário bem diferente: quando os pais das artistas imploraram para que a agência não retaliasse as jovens, a direção recusou-se a dar essa garantia, justificando de forma fria que a pausa do grupo já havia lhes custado uma quantia significativa de dinheiro.