A Polícia da Coreia do Sul desmantelou um dos maiores esquemas de revenda ilegal de ingressos (scalping) registrados no país nos últimos anos. Um homem na faixa dos 30 anos foi formalmente indiciado após acumular um lucro estimado em 2,4 bilhões de KRW (cerca de R$ 10,2 milhões) por meio da comercialização de quase 9.000 entradas para shows de K-pop e grandes eventos esportivos a preços astronômicos.
De acordo com as investigações, o esquema operava desde 2018 com o uso intensivo de programas de compra automatizada (macros) e de dezenas de contas registradas em nome de parentes para burlar os sistemas de segurança das bilheterias. Os valores praticados no mercado secundário eram abusivos: um ingresso para o concerto do BTS realizado em 2019, cujo preço original era de 110 mil KRW, foi revendido por impressionantes 3 milhões de KRW, um ágio de 27 vezes. Entradas para apresentações do Stray Kids e do SEVENTEEN, além de partidas de futebol de alta visibilidade como a do Tottenham e shows internacionais como o de Bruno Mars, também foram alvos da quadrilha e alcançaram até 2 milhões de KRW cada.
Com um lucro líquido apurado de 1,6 bilhão de KRW, o suspeito abriu uma empresa de comércio eletrônico de fachada para mascarar a origem ilícita do dinheiro, utilizando os recursos para adquirir um apartamento e dois imóveis comerciais. Após a prisão de outros 16 operadores associados à rede, o homem tentou apagar os rastros do crime formatando computadores e celulares; no entanto, a perícia digital avançada da polícia conseguiu recuperar integralmente os dados apagados.
O golpe chega ao fim em um momento de endurecimento legislativo na Coreia do Sul. A operação coincide com a aplicação rigorosa das novas diretrizes da Lei de Performance Pública, que passou a punir severamente a revenda especulativa de ingressos, independentemente do uso de softwares automatizados.