Um dos embates jurídicos mais midiáticos e complexos da história recente do K-pop está prestes a chegar a um desfecho crucial. No dia 13 de novembro, às 2h da manhã (horário de Brasília), a Justiça sul-coreana divulgará a decisão do processo de indenização de 13 bilhões de won (cerca de US$ 9,5 milhões) movido pela agência ATTRAKT contra as cantoras Saena, Sio e Aran hoje promovidas sob o nome ablume e seus respectivos pais.
O julgamento promete estabelecer um precedente financeiro gigantesco para casos de disputas contratuais e aliciamento corporativo na indústria do entretenimento sul-coreano.
O estopim da crise: de 'Cupid' aos tribunais
Para entender a magnitude da ação, é necessário voltar ao primeiro semestre de 2023. Na época, as três artistas faziam parte do grupo FIFTY FIFTY ao lado da integrante Keena. O quarteto alcançou um sucesso meteórico e sem precedentes com o hit global "Cupid", dominando as paradas da Billboard e viralizando no TikTok.
No entanto, no auge do sucesso, as integrantes entraram com um pedido de liminar para suspender seus contratos exclusivos com a ATTRAKT, alegando falta de transparência financeira e negligência com a saúde das artistas. A ATTRAKT, liderada pelo CEO Jeon Hong-joon, rebateu as acusações imediatamente e denunciou um esquema de "tampering" (aliciamento ilegal). A agência acusou a produtora externa The Givers, comandada por Ahn Sung-il, de manipular as jovens e seus pais para que quebrassem seus contratos e assinassem com outra empresa, roubando o grupo da gravadora original.
A ruptura e o processo de 13 bilhões
A batalha legal destruiu o embalo do grupo original. A Justiça sul-coreana rejeitou o pedido das integrantes para anular os contratos, afirmando não haver provas suficientes contra a ATTRAKT. Diante disso, Keena se arrependeu, desistiu do processo e retornou à agência, o que permitiu que o FIFTY FIFTY fosse recentemente reestruturado com novas membros.
Saena, Sio e Aran, por outro lado, mantiveram a disputa. Como retaliação à recusa das artistas em retornar e aos enormes prejuízos causados pelo cancelamento de contratos publicitários e turnês no auge da fama, a ATTRAKT rescindiu o contrato do trio e protocolou a ação de 13 bilhões de won. O processo tem como alvo direto as três jovens e seus pais, responsabilizando-os solidariamente por cumplicidade na quebra de confiança e nos danos financeiros catastróficos causados à empresa.
O retorno como 'ablume' e as expectativas para o veredito
Recentemente, o trio assinou com uma nova gravadora, a MASSIVE E&C (subsidiária da IOK Company), e anunciou seu retorno à indústria musical sob o nome ablume, iniciando a construção de uma nova identidade artística.
Contudo, a iminente decisão do dia 13 de novembro paira como uma nuvem sobre o futuro do novo grupo. Se a Justiça der ganho de causa à ATTRAKT, as artistas e suas famílias enfrentarão uma dívida bilionária, além de consolidar uma forte mensagem de alerta da Justiça sul-coreana contra tentativas de quebra contratual e aliciamento por terceiros no impiedoso mercado do K-pop.