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Lee Min-ho desmarca evento no BIFF após filme 'The Assassins' virar alvo de boicote e caso de polícia

Por: 3 minutos de leitura 8 visualizações

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O prestigiado Festival Internacional de Cinema de Busan (BIFF) sofreu uma baixa de peso em sua programação oficial. O aclamado ator Lee Min-ho cancelou sua aguardada participação no painel "Casa dos Atores", em meio a um escândalo de proporções gigantescas envolvendo seu novo filme, "The Assassins" (também referido como Assassin(s)). A obra tornou-se alvo de um boicote em massa e a crise escalou para a esfera criminal.

O caso real e a teoria da conspiração nas telas

A raiz da controvérsia está na forma como o longa aborda um dos eventos mais sensíveis da política sul-coreana: o assassinato da Primeira-Dama Yuk Young-soo, esposa do então presidente Park Chung-hee, morta a tiros em 15 de agosto de 1974.

Historicamente, com base nas investigações da época e na decisão judicial que vigora como versão oficial, o atirador foi Mun Se-gwang um descendente de coreanos radicado no Japão com supostas ligações com a Coreia do Norte e a organização Chongryon. O alvo do atirador era o presidente, mas os disparos acabaram atingindo a Primeira-Dama.

A polêmica se instalou porque "The Assassins" apresenta uma teoria alternativa. A trama utiliza elementos de mistério da investigação original, como a contagem de tiros e o paradeiro das balas, para questionar a narrativa oficial. O roteiro sugere o envolvimento de figuras do próprio círculo governamental de Park Chung-hee e da Agência Central de Inteligência da Coreia (KCIA). A narrativa abre espaço para a interpretação de que o próprio presidente ou membros de sua cúpula poderiam estar por trás da morte da esposa.

Boicote em massa e denúncia à polícia

Essa abordagem enfureceu críticos e parte do público, que acusam a produção de distorção histórica grave. A repercussão negativa evoluiu rapidamente para uma campanha de boicote e exigências de que as exibições do filme sejam suspensas.

A situação atingiu seu ápice legal no último dia 29 de setembro, quando o ex-membro do Conselho Municipal de Seul, Lee Jong-bae, denunciou formalmente o diretor Heo Jin-ho e a equipe de produção à Polícia Metropolitana de Seul. A acusação é de suposta difamação por meio da disseminação de informações falsas.

Para tentar conter a crise, a equipe de produção se pronunciou rebatendo as acusações. Eles reiteraram que "The Assassins" é estritamente uma obra de ficção cinematográfica que utiliza um evento histórico apenas como base para adicionar interpretações criativas. A equipe enfatizou que o filme não pretende estabelecer suas teorias como fatos históricos consumados, nem apontar um verdadeiro mandante.

Efeito dominó e atrizes envolvidas

O clima de hostilidade na Coreia do Sul afetou não apenas o cronograma de Lee Min-ho — cuja agência e a organização do BIFF citaram "circunstâncias inevitáveis" para justificar o cancelamento da agenda —, mas também outras grandes estrelas da indústria.

As atrizes Lee Young-ae e Kim Go-eun acabaram arrastadas para o centro do escândalo. Após publicarem resenhas positivas elogiando o longa e incentivando seus seguidores a irem aos cinemas, ambas tiveram suas redes sociais inundadas por comentários negativos e ataques de internautas, que passaram a cobrá-las por apoiarem uma produção acusada de reescrever a história do país.