O aclamado ator Yoo Hae Jin tornou-se o epicentro de uma intensa controvérsia política e cultural na Coreia do Sul após o lançamento de seu novo filme, 'Assassin(s)'. Diante de uma onda crescente de críticas, campanhas de boicote a marcas e protestos físicos, a VAST Entertainment, agência responsável pelo artista, anunciou que tomará medidas legais rigorosas e implacáveis para garantir sua segurança e proteger sua reputação.
Nesta segunda-feira (5 de outubro), a empresa emitiu um duro comunicado em suas redes sociais oficiais, alertando que não tolerará os ataques direcionados ao ator. "Confirmamos que declarações difamatórias e informações falsas sobre Yoo Hae Jin foram criadas e disseminadas indiscriminadamente em comunidades online e redes sociais", declarou a agência. "Levamos muito a sério todos os atos que geram ou disseminam informações falsas, ataques pessoais maliciosos e insultos, bem como quaisquer atos que violem a privacidade do ator, ameacem sua segurança ou prejudiquem sua reputação."
A polêmica histórica de 'Assassin(s)'
Dirigido pelo cineasta Hur Jin Ho, o longa-metragem estreou no mês passado e mergulha em um dos episódios mais sensíveis da história sul-coreana contemporânea: o atentado de 15 de agosto de 1974 contra a então primeira-dama Yuk Young Soo. A trama acompanha uma investigação sobre as complexas questões e o contexto político que envolveram o trágico incidente.
A controvérsia explodiu quando críticos acusaram a produção de grave distorção histórica. Segundo as alegações, o filme sugere uma conclusão alternativa que desafia a versão oficial do governo sul-coreano, a qual aponta que a primeira-dama foi fatalmente baleada por Moon Se Kwang, um coreano residente no Japão (zainichi). O debate, que inicialmente girava em torno da liberdade de interpretação cinematográfica, rapidamente escalou para ataques diretos ao elenco e à equipe de produção.
Boicote de marcas e protestos na porta de casa
A repercussão negativa transcendeu os fóruns de cinema e atingiu diretamente a vida pessoal e financeira de Yoo Hae Jin. Usuários da internet iniciaram uma campanha maciça de boicote contra produtos e serviços endossados pelo ator. Capturas de tela de aplicativos excluídos e de cancelamentos de compras em redes de fast-food patrocinadas por ele inundaram a web, acompanhadas de exigências para que as empresas o substituíssem como garoto-propaganda.
O cenário de intimidação atingiu seu ápice no último domingo (4 de outubro). Membros do grupo de extrema-direita Shin Jayu Yeondae, acompanhados por YouTubers conservadores, organizaram um protesto presencial em frente à residência particular de Yoo Hae Jin, localizada no prestigiado distrito de Seongbuk, em Seul. Os manifestantes exigiram a suspensão imediata da exibição do filme nos cinemas, além de um pedido de desculpas público de todo o elenco e equipe.
Defesa da produção e impactos no BIFF
Tentando apaziguar a situação, a equipe de produção de 'Assassin(s)' já havia se pronunciado anteriormente, enfatizando que o longa é um drama ficcional inspirado em eventos reais, construído com elementos criativos de roteiro. "O filme não tem a intenção de estabelecer uma nova conclusão histórica, negar ou distorcer os fatos", esclareceram, pontuando que a obra não identifica nenhum indivíduo específico como responsável pelo incidente ou vende suas hipóteses dramáticas como verdades absolutas.
Apesar dos esclarecimentos, o clima de tensão forçou a distribuidora a recuar. Citando preocupações evidentes com a segurança do elenco e do público, a equipe de 'Assassin(s)' cancelou as aparições presenciais agendadas para o 31º Festival Internacional de Cinema de Busan (BIFF), que tem início no dia 6 de outubro. Enquanto a obra segue em exibição sob forte escrutínio, a VAST Entertainment reforça que está coletando todas as evidências digitais para levar os infratores aos tribunais.