O caminho para o estrelato no K-pop é notório por sua exigência extrema, mas relatos recentes lançaram uma nova luz sobre o quão longe as agências podem ir para manter o sigilo absoluto de seus futuros talentos. Em uma declaração sincera, Hanbin, atual integrante do grupo TEMPEST, abriu o jogo sobre a intensa e solitária rotina que enfrentou como trainee sob a BELIFT (empresa responsável pelo ENHYPEN e subsidiária da HYBE) antes de participar do programa de sobrevivência I-LAND.
De acordo com o artista, o sistema de treinamento exigia que os aspirantes a idols adotassem uma verdadeira "vida dupla", com regras rigorosas que proibiam até mesmo interações básicas de amizade entre os jovens.
Identidades falsas e proibição de amizades
Hanbin revelou que, no período pré-programa, os trainees viviam sob um forte protocolo de isolamento. Eles eram proibidos de trocar informações pessoais ou formar laços no ambiente da empresa. "Não podíamos nos encontrar. Só podíamos passar uns pelos outros, nos cumprimentar pelos corredores e era isso. Não podíamos fazer amizade. Quem fizesse amizade com alguém... tchau tchau, ia para casa", explicou o cantor, enfatizando o risco iminente de expulsão.
Para manter o anonimato nas ruas e fora do ambiente de treino, nomes, idades e até mesmo a filiação à agência deviam ser ocultados. Constantemente abordado por sua aparência de idol, Hanbin adotou uma estratégia de despiste orientada pelo sigilo: "Quando eu saía, as pessoas diziam: ‘Ele parece ser um trainee, não é?’. E eu respondia: ‘Não, sou universitário, um estudante estrangeiro’".
A vida de "espião" nas casas de famílias anfitriãs
O nível de controle da agência se estendia também às condições de moradia. Em vez de dormitórios tradicionais de empresas, os trainees eram alocados em casas de famílias sul-coreanas através de um sistema de hospedagem domiciliar (homestay). O grande detalhe: as famílias anfitriãs não sabiam que abrigavam futuros artistas de K-pop.
A agência criava histórias de cobertura falsas, fazendo com que os garotos agissem praticamente como agentes secretos. "A empresa já tinha criado uma história de que eu era filho de alguém e estava ali como estudante estrangeiro. Tipo um espião. Eu era praticamente um!", relatou Hanbin. A quebra dessa regra gerava consequências imediatas: caso um jovem não conseguisse guardar o segredo e revelasse a verdade aos anfitriões, a agência descobria e imediatamente transferia o trainee para outra casa.
O motivo para tamanho rigor, segundo o próprio artista, era duplo: garantir o foco absoluto nos exaustivos treinos diários e impedir o vazamento de informações sobre o passado, a personalidade ou os hábitos dos garotos antes da estreia oficial no I-LAND.
O peso da solidão e um final emocionante
Lidando com a barreira do idioma, os treinos pesados e o isolamento forçado, Hanbin classificou a época como "o período mais difícil de sua vida". Apesar das restrições, ele conseguiu criar um forte vínculo afetivo com sua família anfitriã. "Eu me apeguei muito a eles. Quando voltava para casa, dizia: 'Mãe, Pai, cheguei!'. Eles cozinhavam para mim como se eu realmente fosse um estudante estrangeiro" relembrou.
Como a regra exigia discrição total, os registros fotográficos precisavam ser feitos às escondidas. A farsa só chegou ao fim às vésperas de sua aparição na televisão. Ao revelar sua verdadeira identidade e seus planos para o programa de sobrevivência, os "pais" adotivos de Hanbin não apenas compreenderam a dura realidade do sistema, como prometeram assistir ao I-LAND para apoiá-lo — um desfecho afetuoso para uma rotina marcada pela solidão.