O cenário do entretenimento sul-coreano foi sacudido por mais uma grave batalha jurídica. O renomado cantor e ator Lee Seung Gi, através de seu representante legal, o advogado Yoon Yong Seok, anunciou oficialmente no dia 11 de junho que pretende levar adiante acusações criminais contra Cha Ga Won, presidente da empresa One Hundred. O conflito envolve o término de seu contrato de exclusividade com a agência Big Planet Made Entertainment e uma disputa financeira bilionária associada a um contrato de locação imobiliária no sistema jeonse.
A polêmica atingiu o ápice após virem a público detalhes sobre um depósito de 10,5 bilhões de won coreanos (aproximadamente 7,6 milhões de dólares) efetuado por Lee Seung Gi para residir em uma mansão localizada no luxuoso bairro de Hannam-dong, em Seul, de propriedade de Cha Ga Won. Diante de atrasos em pagamentos e de investigações sobre a saúde financeira das empresas lideradas por Cha, levantaram-se suspeitas no mercado sobre uma possível fraude imobiliária envolvendo o dinheiro do artista.
O Posicionamento de Lee Seung Gi: Alegações de Quebra Contratual

A defesa de Lee Seung Gi foi categórica ao apontar que a notificação de rescisão enviada à Big Planet Made Entertainment em abril decorreu diretamente do não cumprimento de obrigações financeiras por parte da gestão. De acordo com o comunicado da equipe jurídica:
- Taxas de Manutenção: Havia um acordo para que Cha Ga Won cobrisse as taxas de manutenção do condomínio, compensando-as com valores atrasados devidos ao artista. Diante do descumprimento, Lee Seung Gi precisou quitar o montante integral do próprio bolso no início de junho.
- Salários e Empréstimos: O ator alegou ter pago pessoalmente os salários atrasados dos funcionários do local. Além disso, contestou a afirmação de Cha de que a empresa teria coberto os juros de seu empréstimo bancário, afirmando que o valor foi registrado como adiantamento sem o seu consentimento, fazendo com que ele arcasse com o custo sozinho.
- Responsabilidade com Terceiros: A equipe do artista instou a liderança da One Hundred a priorizar a regularização dos pagamentos devidos a funcionários, parceiros comerciais e pequenos fornecedores locais que vêm sendo afetados.
- Resolução do Jeonse: Sobre as acusações de irregularidades imobiliárias, a defesa pontuou que, caso o lado de Cha Ga Won sustente a legalidade do processo, bastará cumprir a obrigação básica de devolver o depósito integral de 10,5 bilhões de won assim que o prazo de locação expirar.
A Reação de Cha Ga Won e a Defesa Jurídica

Em resposta imediata, o representante legal de Cha Ga Won, o advogado Hyun Dong Yeop, utilizou uma transmissão em plataforma de vídeo para apresentar a versão da presidência. A defesa contestou os argumentos de Lee Seung Gi e expôs capturas de tela de supostas conversas de mensagens trocadas entre as partes.
Segundo os representantes de Cha, a iniciativa de firmar um contrato na modalidade jeonse, sistema sul-coreano onde um grande depósito substitui os aluguéis mensais e deve ser devolvido ao fim do contrato, partiu do próprio artista, com o intuito de contornar regulamentações fiscais estritas aplicadas a proprietários de múltiplos imóveis na Coreia do Sul. O lado de Cha argumenta que a empresa buscou acomodar as demandas de Lee, incluindo o auxílio com juros, e negou veementemente qualquer indício de fraude, assegurando que o valor estipulado para a mansão baseou-se em uma avaliação imobiliária legítima e legalizada.
Disputas envolvendo contratos de exclusividade e retenção de depósitos jeonse de alto valor têm gerado crescente preocupação na indústria cultural da Coreia do Sul, atraindo a atenção de órgãos reguladores devido aos riscos financeiros repassados aos artistas. Com as declarações agressivas de ambas as partes e a promessa de intervenção das autoridades investigativas, o caso deve ganhar novos desdobramentos formais nos tribunais nas próximas semanas.
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