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Caso NewJeans: Governo coreano intervém em processo da HYBE para apurar práticas desleais

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A Comissão de Comércio Justo da Coreia do Sul (KFTC) iniciou uma investigação oficial contra a HYBE e a sua subsidiária ADOR, após denúncias de abuso de posição dominante no mercado e práticas comerciais desleais envolvendo o grupo NewJeans. O estopim da ação governamental foi a representação jurídica da integrante Danielle pelo escritório de advocacia Jungbak. A defesa alega que as empresas estão aplicando um tratamento discriminatório e retaliatório agressivo contra a artista ao rescindir seu contrato individualmente e exigir multas que somam até 100 bilhões de won, um movimento interpretado como uma tentativa de bani-la permanentemente da indústria do K-Pop.

Por que a investigação da KFTC tem um significado especial?

Diferente de um processo civil comum sobre quebra de contrato, a intervenção do órgão regulador em 4 de junho de 2026 carrega um peso histórico. A abertura desta investigação significa que a KFTC encontrou indícios preliminares sólidos de infração à ordem econômica nas cláusulas contratuais da HYBE.

Desde a criação dos Termos e Condições Padrão para Agências de Entretenimento pela própria comissão em 2009 implementados na época do escândalo do grupo TVXQ, o governo nunca havia investigado uma agência por usar esses contratos padrão para forçar a saída de um artista do mercado. A nossa análise técnica aponta que os termos regulamentados pelo Ministério da Cultura tornaram-se obsoletos frente ao crescimento global e bilionário do mercado de K-Pop atual.

O "Efeito de Bloqueio" e a punição exemplar contra Danielle

A defesa de Danielle argumenta que a infração cometida por ela em relação ao contrato de exclusividade é exatamente a mesma das outras quatro integrantes do NewJeans (Minji, Hanni, Haerin e Hyein). Contudo, a ADOR e a HYBE optaram por abrir um processo bilionário de cobrança focado centralmente nela.

Nossa equipe avaliou os fundamentos econômicos dessa disputa e identificou uma estratégia corporativa clara:

  • Tratamento Discriminatório: Cobrar uma multa inicial explícita de 30 bilhões de won (com ameaça de cobrar o restante de 100 bilhões caso outra agência tente contratá-la) serve para inviabilizar o retorno de Danielle ao mercado.
  • Sinal de Intimidação: Ao usar a cantora como um "caso de teste" para arruiná-la financeiramente, a HYBE envia um alerta de coerção para as demais integrantes do NewJeans e outros artistas afiliados.
  • Monopólio de Demanda (Monopsônio): Como grandes conglomerados controlam de ponta a ponta a carreira dos trainees por contratos de 7 anos, os artistas enfrentam um bloqueio de mercado multilateral, perdendo o direito de escolha caso sofram abusos.

Cláusulas Penais Injustas: Receita vs. Lucro

Um dos pontos mais críticos revelados pela assessoria jurídica diz respeito à fórmula de cálculo das multas contratuais no entretenimento. A regra padrão imposta estipula que a penalidade seja calculada multiplicando-se a receita bruta pelo período restante do contrato, em vez de se basear no lucro real líquido da agência.

Com base em estimativas de mercado e na análise dos acertos de contas do NewJeans entre 2022 e 2024, o prejuízo real de uma agência com a saída de um artista gira em torno de apenas um quarto a um décimo da receita bruta. Ao cobrar valores baseados na receita, o contrato viola frontalmente a Lei de Regulamentação de Termos e Condições Padrão, configurando uma cláusula abusiva e antissocial que impõe uma responsabilidade financeira infinita ao jovem trabalhador da cultura.

Nossa visão crítica converge para o fato de que a HYBE tomou uma decisão estritamente política e de poder em detrimento do retorno financeiro. Reintegrar Danielle ao NewJeans para se apresentar como um grupo completo para os fãs (Bunnies) geraria um retorno econômico orgânico muito superior para mitigar perdas. A opção pelo litígio destrutivo prova que o objetivo principal é a manutenção do controle absoluto e a opressão de forças criativas no ecossistema musical.