A audaciosa união entre as quatro maiores agências de K-pop (HYBE, SM, YG e JYP) para a criação do festival global 'Phenomenon' tornou-se alvo de um intenso escrutínio político na Coreia do Sul. O que foi inicialmente apresentado como um marco de colaboração cultural está agora sob rigorosa auditoria da Assembleia Nacional, com acusações de privilégios corporativos, apropriação de direitos autorais financiados pelo governo e contratos desequilibrados.
Atuando como co-presidente do Comitê Presidencial de Intercâmbio Cultural Popular, J.Y. Park (Park Jin-young) compareceu à auditoria para se defender das críticas. Diante das alegações de que a chamada "Big 4" estaria recebendo tratamento preferencial do Estado, o fundador da JYP Entertainment argumentou que a participação no evento representa, na verdade, um grande sacrifício financeiro para as empresas.
O argumento do "sacrifício financeiro"
Segundo J.Y. Park, as agências estão abrindo mão de lucros massivos a curto prazo em prol de um projeto nacional. "Os cantores principais dessas 4 agências, se não participarem disso [do show Phenomenon] e fizerem shows separados, gerariam o dobro ou o triplo de receita", explicou o produtor.
Ele detalhou as dificuldades das negociações: "Foi muito difícil fazer com que eles sacrificassem isso. Pedi à YG, pedi à SM, pedi à HYBE. Por isso, causará imediatamente uma perda de centenas de bilhões de won nos próximos poucos anos." Park enfatizou que a decisão foi baseada em uma visão de longo prazo para fortalecer a economia e a influência do país em outras indústrias, rebatendo diretamente a narrativa de favoritismo: "O que eu digo claramente é que, se não fizermos este evento e cada empresa fizer shows de cada cantor naquele tempo, elas ganharão muito mais dinheiro. Por isso, dizer que estão recebendo privilégios não é bem assim."
A polêmica dos direitos autorais e o contrato desequilibrado
Apesar do discurso em prol do desenvolvimento nacional, os legisladores apontaram graves irregularidades na estruturação do evento. O 'Phenomenon', que pretende ter a magnitude de um Coachella do K-pop, é integralmente financiado com dinheiro do governo. No entanto, descobriu-se que J.Y. Park registrou os direitos autorais da marca em nome da própria JYP Entertainment em territórios cruciais como Coreia do Sul, Estados Unidos, Japão e México.
A tentativa de regularização ocorreu seis meses depois, através de um contrato de transferência de direitos de marca com o Ministério. Os termos desse documento inflamaram ainda mais a auditoria: embora o acordo estipule a entrega de 50% das ações domésticas ao governo sul-coreano, o texto posiciona a JYP Entertainment como a "Primeira Parte" (a parte dominante e detentora original).
O contrato determina que o Estado deve obter permissão formal da JYP para a tomada de decisões, falha em incluir cláusulas de penalidade e não estabelece qualquer tipo de sanção caso a agência não cumpra com suas obrigações legais, colocando o governo em uma posição de subordinação.
Evasão de licitação pública
Somado aos problemas contratuais, membros do parlamento questionaram duramente a legalidade do processo de seleção. A formação da joint venture pelas quatro grandes agências ocorreu por vias internas, sem passar pelo processo obrigatório de licitação aberta e concorrência pública exigido para projetos financiados pelo Estado. Para a auditoria, a falta de transparência evidencia um claro privilégio institucional concedido às gigantes do setor em detrimento de outras agências sul-coreanas.